Family Book



 ''Os Dutra e Os Vargas''


Os Dutra

Segundo Porto (1943, p. 13), o Faial foi descoberto em 1453 pelos habitantes das ilhas Terceira e São Jorge, do arquipélago açoriano. E foram seus primitivos povoadores elementos dessas mesmas ilhas. Mas, quando estava em parte povoada resolveu El-Rey dar-lhe donatário e “porque não andava em Lisboa e no serviço de pessoas reais um grande Fidalgo flamengo chamado Joz de Utra (ou Jorge de Utra, porque em flamengo Joz é Jorge) a este fidalgo nomeou El-Rey de Portugal para Capitão donatário de toda a ilha do Faial e o casou com uma portuguesa, dona de paço, chamada Brites de Macedo, da antiga fidalguia dos Macedo”. Joz de Utra era flamengo, natural da ilha de Bruges, no ducado de Flandres, Bélgica. O apelido passou por várias transformações, encontrando-se através dos tempos sob as formas de Utra, de Hutere, de Ultra, Dultra e Dutra. E é esta última, que vem até a família Vargas, do Rio Grande do Sul. Os Dutra que no mesmo período entraram no Rio Grande e são mais tarde povoadores de várias vilas, onde se radicaram, consoante os seus respectivos livros de batismos, casamentos e óbitos, são: Domingos Dutra, casado com Maria Rosa, com um filho no Rio Grande em 1752 e outro no Rio Pardo em 1755; Felipe Dutra Caldena, casado com Maria da Silveira, com 4 filhos no Rio Grande, sendo o primeiro batizado em 1753; Francisco Dutra da Silva, casado com Maria das Candeias, com 4 filhos no Rio Grande desde 1753; Bonifácio Dutra, casado com Francisca Inácia com um filho no Rio Grande em 1754; Francisco Dutra Leão, casado com Catarina de Vargas, com um filho em Rio Grande em 1756; Mateus Dutra Machado, casado com Catarina Rosa, com 2 filhos no Rio Pardo em 1756; Francisco Dutra, casado com Águeda de São Mateus, com 3 filhos em Santo Amaro desde 1758; Manuel Dutra de Medeiros, casado com Inês Francisca, com um filho em Rio Grande em 1759; Manuel Dutra, casado com Maria Jacinta, com um filho em Rio Grande em 1760; e José Dutra, casado com Antônia Maria, com um filho em Rio Grande em 1761. São todos casais procedentes da ilha do Faial. Em 1763, com a invasão dos espanhóis, tomaram vários destinos, indo povoar as novas vilas então fundadas no interior do Rio Grande do Sul; dos quais descende MANUEL ANTÔNIO DUTRA, nascido cerca de 1840, casado aos 09 de dezembro de 1875 com Leonor Antônia de Araújo em Caçapava do Sul, Rio Grande do Sul.

Os Vargas

Os primeiros VARGAS que chegaram ao nosso estado ao redor de 1750, conforme Porto (1943) foram JOSÉ DE VARGAS e ANTÔNIO JOSÉ DE VARGAS, parentes próximos, ambos oriundos da Ilha do FAIAL, sendo o segundo, tataravô do Presidente Getúlio Dorneles Vargas. Trinta anos depois, entre 1780 e 1800, vieram vários Vargas, todos parentes entre si e oriundos da mesma ilha. "Conforme Cheuiche (2004, p. 40) a árvore genealógica da família Vargas registra a chegada de José de Vargas e Antônio José de Vargas, os mesmos já citados neste texto, no primeiro grupo de casais que chegou ao Rio Grande do Sul. Após passarem por Rio Grande e Porto Alegre, fixaram residência no vale do rio Taquari, de onde a família espalhou-se para todo o Estado. Assim, os Vargas Riograndenses, em sua maioria são de origem portuguesa, embora o berço comum seja a Espanha, região de Vargúncia, onde a maioria dos habitantes são 'jitanos', os ciganos espanhóis". 'JOSÉ DE VARGAS', natural da ilha do FAIAL, arquipélago dos Açôres, domínios de Portugal, casou-se com Inês de Faria, também natural do Faial. Conforme pesquisa da família, José de Vargas veio dos Açores (da Ilha do Faial) para o Rio Grande de São Pedro, com Inês de Faria (casais d'El Rei) e os filhos (Antonio, Manuel, João, Francisco, Domingos, Elena Maria e Quitéria). Compunham a primeira leva de açorianos que, em 1753, foi trazida do Rio Grande de São Pedro para o Porto do Dorneles, Viamão, onde deram inicio ao povoamento do Porto dos Casais, atual Porto Alegre. Em 1753 e 1754, toda esta família ainda estava no citado Porto dos Casais, mas em 1755 já era batizada em Rio Pardo, a filha Isabel Francisca, que seria o 8º filho do casal. Posteriormente, José de Vargas fixou-se em São José do Taquari, de cuja freguesia foi um dos fundadores e povoadores. ANTÔNIO DE VARGAS nasceu na freguesia de Nª. Srª. da Ajuda, na Ilha do Faial, Arquipélago dos Açores, Portugal. Faleceu em Taquari - RS em 06 de setembro de 1815. Filho de José de Vargas e Inês de Faria. Do Porto dos Casais atual Porto Alegre, para onde veio com seus pais, passou Antonio de Vargas para Rio Pardo, onde foram batizados os seus três primeiros filhos, passando depois para Taquari, da qual também foi um dos povoadores, e onde sempre residiu a partir de então. Em 1774 Antonio de Vargas e seu irmão João de Vargas eram soldados do mais tarde Brigadeiro Rafael Pinto Bandeira, e tomaram parte da conquista do forte Santa Bárbara. Em 31 de janeiro de 1771, recebeu uma das Datas distribuídas em Taquari, e logo depois comprou a de seu irmão João, e em 1784 nelas vivia com sua família. Em 1796 recebia em Taquari uma pequena sesmaria de ¼ de légua (12 ½ quadras), que ficava nas margens do rio Taquari, “no lugar denominado arroio da Capivara, indo até ao outro arroio chamado Caramujo”. E em 1797 já havia comprado um outro campo no distrito de Caí, com uma légua, campo este que possuía há dez anos. Antonio de Vargas casou-se com Maria do Rosário Filha, também encontrada em alguns registros com o nome de Maria de Jesus. PEDRO ANTÔNIO DE VARGAS foi batizado em 07 de junho de 1770 em Taquari – RS. Filho de Antonio de Vargas e de Maria do Rosário Filha. Agropecuarista. Casou-se em 13 de janeiro de 1799 com Maria Martins de Oliveira, também encontrada em alguns registros com o nome de Maria Martins, prima-irmã do General Farroupilha, Davi José Martins Canabarro. FIRMINO JOSÉ DE VARGAS nasceu em 01 de julho de 1809 em Taquari – RS. Filho de Pedro Antonio de Vargas e de Maria Martins de Oliveira. Agropecuarista, casou-se com Ludovina Álvares de Freitas. Mais ou menos em 1850 se transferiram para Caçapava do Sul, RS. SILVESTRE JOSÉ DE VARGAS era Tenente Coronel da Guarda Nacional e Agropecuarista. Nasceu em 10 de abril de 1832 em Taquari – RS e faleceu em 13 de janeiro de 1917 em Caçapava do Sul - RS. Filho de Firmino José de Vargas e de Ludovina Álvares de Freitas. Casou-se com Cândida Cordeiro da Silveira, em 19 de janeiro de 1856, que passou a assinar-se Cândida de Vargas.


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