• Born 9 July 1880 - Stª Maria Maior, Funchal, Madeira
  • Deceased 18 March 1944 - Palácio Pombal, R. do Século, 99, Lisboa, Portugal,aged 63 years old

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Major de Cavalaria, poeta, publicista, compositor musical, nasceu na Freguesia de Santa Maria Maior, do Funchal (Ilha da Madeira) a 9 de Julho de 1880.


Tendo frequentado o Real Colégio Militar, sentou praça, como voluntário, no Regimento de Cavalaria 2, tendo sido encorporado a 28 de Julho de 1896. Promovido a 1º Sargento-cadete, da Escola do Exército, em 1901 e a Alferes no ano seguinte, é colocado, sucessivamente, nos Regimentos de Cavalaria 1 e 2. Tenente em 1906, transita para o Regimento de Cavalaria 9 em 1910, tendo anteriormente, declarado desejar servir no Ultramar, no posto imediato, nos termos do Decreto de 14 de Novembro de 1901, e, neste mesmo ano, é colocado no Estado-Maior da Arma e volta àquele Regimento.

Em meados dos ano seguinte é-lhe instaurado, na cidade de Bragança e Quartel do Regimento de Infantaria nº 10 da 6ª Divisão Militar,um auto de corpo de delito indirecto com base numa participação, dada por José Luiz Diogo de Carvalho, Capitão do Regimento de Cavalaria 9 e Comandante dos 3º e 4º Esquadrões do mesmo Regimento, por “mostrar hesitação no cumprimento de uma ordem dada pelo Comandante Militar, para reforçar o destacamento de Vinhais, exaltando o prestígio dos chefes conspiradores e meios de que dispunham e bem assim, manifestar-se a favor deles, com quem, disse, estar em relações por meio de correspondência edeclarar que entre eles tinha muitos amigos”. No gabinete do Comandante do Regimento, onde se encontrava o Tenente Vasconcellos e Sá a receber instruções, este dizia que “os conspiradores, a realizarem a sua incursão neste país, contavam com elementos muito valiosos dentro dele e que as qualidades de Paiva Couceiro o tornavam um chefe para temer e que nós íamos combater por uma causa que estava muito longe de estar ganha .........”.


Este auto foi enviado pelo Comando da 6ª Divisão Militar em Vila Real ao gabinete do Ministro da Guerra (26).


Ainda em 1911 é colocado em Cavalaria 3 do Rei Eduardo VIII de Inglaterra e, posteriormente, de novo no Estado-Maior da Arma.


Entretanto, o Comandante daquela Unidade, aquartelada em Extremoz, pede que seja levantado, contra o Tenente Vasconcellos e Sá, um processo de averiguações, “pedindo que o referido oficial saia do Regimento, visto que os oficiais seus camaradas, não convivem com ele e continuam a tê-lo como adverso à República, podendo por isso deste estado nascer qualquer incidente inconveniente para a disciplina do Regimento, que não seja possível evitar, apesar da vigilância exercida sobre o mesmo oficial e que S. Exª o Ministro, determine o destino a dar ao mencionado Tenente Vasconcellos e Sá. Ass. João Maria Teixeira (General)”.


Posteriormente, o Comandante do Regimento de Cavalaria 5, oficia à Secretaria de Guerra, comunicando que “o Tenente do Estado-Maior João de Vasconcellos e Sá, que se achava recluso neste quartel, marchou ontem para Lisboa, por ordem do Comando da 4ª Divisão do Exército, afim de dar entrada na Casa de Reclusão da 1ª Divisão”.


Ascende ao posto de Capitão em 1913 e, após várias comissões de serviço, cabe-lhe a promoção a Major em 1918 (27). Comanda, ainda, o 2º grupo do Regimento de cavalaria 4 e regressa, novamente, ao Estado-Maior da sua Arma.


Toma parte na insurreição monárquica de 1919, batendo-se até ao final na Serra de Monsanto. Feito prisioneiro e demitido de oficial do Exército, é deportado para a Ilha da Madeira.


Entretanto, pelo Tribunal Militar de Lisboa, é proferida a seguinte sentença, que transcrevemos na íntegra, por fazer parte da História e esta, constituir como que o pano de fundo, em que se desenvolve a acção de qualquer pessoa biografada, colocando-a no seu meio e na sua época, contribuindo assim para uma melhor interpretação de condutas e atitudes: “o Réu, João Augusto de Vasconcellos e Sá, ex-Major de Cavalaria, é acusado de tentar restabelecer pelas armas a forma de Governo Monárquico em Portugal, para o que tomou parte activa e directa no movimento que, com aquele fim, se desenrolou na Serra de Monsanto, para onde acompanhou o Regimento de Cavalaria 4, a que pertencia e onde se conservou até final, solidarizando-se com os revoltosos, factos que tiveram lugar em 23 e 24 de Janeiro de 1919.


(26) Arquivo Histórico Militar, Processo Individual, em 18 de Julho de 1911.


(27) Arquivo Histórico Militar e Arquivo Geral do Exército, Processo Individual, O. E. nº 1 de 15 de Janeiro.


O Réu, defende-se com o que alegou a fls... Discutida a causa e propostos os quesitos ao Júri, deu este por provado, por unanimidade, que o réu cometeu o aludido crime sem intenção criminosa, mas com culpa - resposta aos quesitos 1º e 2º. Em face destas decisões, julgo o réu incurso no artigo 1º, nº 1 da Lei de 30 de Abril de 1912, referido ao artigo 110º do Código Penal, que diz assim: “No caso de crime meramente culposo, nunca serão aplicáveis penas superiores à de prisão correcional e multa correspondente. Mas, atendendo a que o Júri deu como provada a circunstância atenuante de o Réu ter bom comportamento - Código Pena, artigo 39º, nº 1. Atendendo a que nenhuma circunstância agravante milita contra o réu por estes fundamentos e tendo em vista o estatuto no artigo 98º do Código Penal, condeno somente o mesmo réu na pena de doze meses de prisão correcional em cujo cumprimento se levarão em conta, nos termos do artigo 4º, da Lei de 14 de Junho de 1884, 6 meses e 21 dia s de prisão preventiva já sofrida. Lisboa, 15 de Agosto de 1919. Ass. Pedro Augusto Pereira de Castro, auditor. Paulino António Correia, General Presidente”.


Só muito mais tarde, já depois do Movimento Militar de 28 de Maio de 1926, é reintegrado no Exército, na situação de Reforma, competindo-lhe o vencimento de 99$27 (28).


Era cavaleiro da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem de S. Tiago do Mérito Científico, Literário e Artístico - condecoração que lhe foi atribuída no posto de Alferes (29) - e possuía, ainda, a medalha de prata da classe de Comportamento Exemplar (30).


Foi compositor musical do género ligeiro, sendo da sua autoria a canção “Margarida vai à fonte”, que gozou enorme popularidade em todo o País.


No teatro estreou-se com a peça “Bi”, escrita de colaboração com Victoriano Braga. Foi também co-autor das revistas “Palhas e Moinhas”, “Fogo de Vistas” e “Bola de Neve”, na primeira das quais teve como colaborador Raul Cordeiro Ramos e nas outras duas, Cristóvão Aires, Matos Sequeira e Pereira Coelho. Monárquico intransigente, após a proclamação da República, deu colaboração assídua aos jornais que combatiam o novo regimento, firmando, com o pseudónimo de “D. Tancredo”, gazetilhas de mordaz ironia. Artista de requintada sensibilidade, cultivou igualmente a aguarela entre outras obras que deixou publicadas, são de citar “Rimas Populares” e “Antão era Pastor” (31).


Faleceu na Freguesia das Merçês, de Lisboa, aos 18 de Março de 1944 (32).


(28) Arquivo Histórico Militar e Arquivo Geral do Exército, Decreto e O. E. nº 5 de 31 de Março de 1932 .


(29) Arquivo Histórico Militar e Arquivo Geral do Exército de 23 de Outubro de 1905 e O. E. nº 20 de 2 de Dezembro de 1906 .


(30) Arquivo Histórico Militar e Arquivo Geral do Exército e O. E. nº 25 de 1918 .


(31) In “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”, vol. 34, pág. 314.


(32) 7ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa, livro de Registo de Óbitos nº 39, fls. 123/v. Arquivo Histórico Militar, O. E. nº 5 de 27 de Abril de 1944.


Cursou o Colégio Militar de 1890 a 1897 e a escola Politécnica de 1898 a 1900. Foi Oficial de cavalaria. Praticava, com perícia, os desportos do seu tempo. Montava a cavalo e jogava o ténis; cultivava a literatura e a música, cantava muito bem e conversava com interesse e graça espontânea.


Esteve preso várias vezes, devido às circunstâncias políticas e às suas convicções monárquicas. Foi mandado de castigo para o Alentejo; de Estremoz transitou para Évora, tendo sido preso pouco depois, sob a acusação de ter idoa Elvas conspirar, tendo sido julgado e absolvido. Em 1919, foi preso de novo, por se ter batido em Monsanto, no movimento monárquico. Esteve alguns dias no Forte de Monsanto, com Azevedo Coutinho, Aires de Ornelas, Conde de Sucena, Conde de Arrocheia, Visconde de Siqueira e outros, tendo sido depois deportado para o Funchal, fazendo parte dos 289 políticos que estiveram detidos no “Lazareto de Gonçalo Aires”, tendo mais tarde concluído a sua pena, com um ano na Penitenciária de Lisboa. Voltando à liberdade e tendo deixado o exército, consagrou-se à vida de família, à literatura e à pintura de aguarelas e à música, tendo por 1898, composto a letra e a música da célebre canção, à moda do Minho, “Margarida vai à fonte”, que obteve um extraordinário sucesso, em todo o País e ainda hoje é cantada em França,Bélgica e Itália, tendo dado aos herdeiros, em cerca de dois anos, cerca de 25.000$00, o que é importante, se atendermos que a canção tem mais de 60 anos.


Vasconcellos e Sá que foi conhecido pelo “Margarida”, devido a esta canção, dedicou-se também ao teatro, tendo-se estreiado com a peça teatral intitulada “Bi”, de colaboração com Vitoriano Braga e escreveu a revista “Palhase Moinhos”, levada à cena em Estremoz e mais tarde, em 1939, no Teatro Garcia de Resende, em Évora, todo o Alentejo e no Teatro Ginásio, em Lisboa. Nesta revista que foi ensaiada pelo autor, de colaboração com o médico Dr. Ângelo Moreno e com o advogado Dr. Raul Cordeiro Ramos, tomaram parte os filhos e filhas e sobrinhas do autor. Colaborou, também, com Vitoriano Braga, Coronel Pereira Coelho, Gustavo Matos Siqueira e Cristóvão Aires, nas revistas “Bola de Neve” e “Fogo de Vistas”, representadas em Lisboa, com grande sucesso.


É autor das seguintes obras: “Margarida vai à fonte”, Lisboa 1898; “Umlivro (Poesias de Vasconcellos e Sá), Lisboa; s. d. (com prólogo de Fernandes Costa, datado de 1901); “Rimas pobres”, Lisboa 1907; “Antão era pastor”, Lisboa 1930 (com desenhos de Eduardo Malta), edição quase toda vendida no Brasil pelo Barão de Saavedra, amigo do autor; “O Castanheiro” (fado) inédito; “Nunca mais” (fado) inédito; “Duas órbitas” (fado) inédito; “O teu olhar” (fado) inédito e “Poesias”, Lisboa 1959. Obra póstuma, editado pelo filho, com prefácio da poetisa Maria de Carvalho. A sua obra poética ficou quase toda inédita. Os seus fados são actualmente cantados pelas cantadeiras Fernanda Peres, Maria Teresa de Noronha e Amália Rodrigues.


Colaborou no “Diário de Notícias”, “Heraldo da Madeira”, “Almanaque de Lembranças Madeirenses”, “Almanaque Bertrand” e noutras publicações madeirenses e continentais, tendo nalgumas publicado gazetilhas de mordaz ironia, sob o pseudónimo de D. Tancredo.


Foi um dos nossos mais apreciados poetas, sendo os seus versos inspirados e harmoniosos, repassados, por vezes, de uma grande ironia magoada e subtil.


“A personalidade de Vasconcellos e Sá - disse a poetisa Maria de Carvalho -  destacava-se pelo espírito vivíssimo e de uma graça inconfundível, pela veia poética e fácil, a que ela não dava importância, pois a sua maneira de ser conciliava ironia e modéstia “quase inconsciência do próprio valor que prodigalizava sem conta”.


Casou com Dª Maria Clara de Mattos Fernandes, que nasceu na freguesia de S. Pedro, em Évora, a 7 de Outubro de 1895, casou a 26 de Março de 1918 na freguesia de S. Francisco, em Évora e faleceu a 15 de Julho de 1980 na mesma freguesia do mesmo distrito, filha de Miguel José de Mattos Fernandes, rico proprietário em Évora, que nasceu em 1857 e faleceu em 13 de Setembro de 1929 (filho de Miguel de Mattos Fernandes e de sua mulher Dª Maria Ana) e de sua mulher Dª Maria Luiza Braamcamp Freire de Mattos, nascida a 6 de Novembro de 1858, com quem casou a 6 de Novembro de 1883 neta, pela parte materna, de José Maria de Souza Mattos, Fidalgo da Casa Real, Comendador da Ordem de Nª Senhora da Conceição de Vila Viçosa, abastado proprietário no distrito de Évora, que nasceu a 24 de Dezembro de 1827 e faleceu a 20 de Setembro de 1897 (filho de Joaquim António de Souza Mattos, Fidalgo da Casa Real e de sua mulher Dª Inácia Jacinta dos Reis Cidade) que casou a 7 de Janeiro de 1854 com Dª Maria Inácia Braamcamp Freire de Almeida Castelo-Branco, nascida a 28 de Agosto de 1836 e falecida a 15 de Fevereiro de 1882 bisneta, pela parte materna, de Manuel Nunes Freire da Rocha, 1º Barão de Almeirim em sua vida (Decreto de 23 de Outubro de 1837) e carta de 16 de Outubro de 1860, do Conselho de Sua Magestade Fidelissima, Fidalgo da Casa Real, 3º Senhor do Prazo das Lameiras, Cavaleiro professo da Ordem de Cristo, Deputado da Naçãoem várias legislaturas, Administrador Geral do Distrito de Santarém, que nasceu a 28 de Setembro de 1806 e faleceu a 16 de Julho de 1859, e de sua mulher Dª Luiza Maria Joana Braamcamp - com quem casou a 28 de Outubro de 1835 - nascida a 21 de Outubro de 1815 e falecida a 21 de Março de 1862, filha de Anselmo José Braamcamp de Almeida Castelo-Branco, irmão do 1º Conde de Sobral, F. C. R., Ministro de Estado honorário, Comendador dos Moinhos de Soure na Ordem de Cristo, Coronel de Milícias, Deputado da Nação em várias legislaturas, e de sua mulher e prima Dª Maria Inácia Braamcamp de Almeida Castelo-Branco (33).


(33) In “Livro de Oiro da Nobreza”, vol. I, pág. 68.

 Sources

  • Individual:
    - Diogo de Vasconcellos e Sá - Site de família Vasconcellos e Sá
    MyHeritage家谱
    家族网站:Site de família Vasconcellos e Sá
    家谱:79084353-1 - 79084353-1 - Discovery - João Augusto de Vasconcellos e Sá - João Augusto de Vasconcellos e Sá - Discovery - 6 NOV 2016 - Added via an Instant Discovery™
    - Luis Borges de Castro - Familia Borges de Castro Web Site

    MyHeritage family tree

    Family site: Familia Borges de Castro Web Site

    Family tree: 348748891-1 - 348748891-1 - Discovery - 3 DEC 2019 - Personal photo of João Augusto de Vasconcellos e Sá Added via a Photo Discovery™

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sosa João Augusto de Vasconcellos e Sá 1783-1846 sosa Maria Margarida Carvalho e Sampaio 1792-1833  
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sosa Luís Augusto de Vasconcellos e Sá 1842-1926 sosa Maria José Gomez y Algerioz 1842-1935
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João Augusto de Vasconcellos e Sá 1880-1944